terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sobre cactos e xícaras


E no meio da confusão, decidi fazer um café. Cheiro de café novo sempre me deixa feliz. Ainda por cima, acompanhado de um bom queijo minas – estado, aliás, onde nasci e passei grande parte do tempo que me transformou em quem sou hoje. Pois bem, passei o café, lembrei que tinha trazido na mala recém-desfeita um queijo minas. Cortei um pedaço e temperei como gosto: com uma pitada de sal e azeite. Coloquei café na xícara até a metade. Na tevê, um filme sobre prédios e como eles influenciam na forma como as pessoas vivem em grandes cidades. Fui pra sacada, me sentei, uma xícara na mão, um pratinho com queijo picado, e acendi um cigarro. Estava anoitecendo. Eu adoro os fins de tarde em Porto Alegre, a propósito. Na rua, as pessoas passavam a pé, ou dentro de suas carapuças de aço, meio que blindadas. Reparei que os caminhantes usavam fones de ouvido, e isso, de certa forma, também os blindava do exterior.

Enquanto tomava meu café, reparei que a asa da minha xícara tinha exatamente o formato de um coração pela metade.

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Acho os cactos plantas fascinantes. Não exigem muitos cuidados, crescem até nos ambientes mais inóspitos e não precisam tanto assim de água – elemento fundamental à vida, segundo os cientistas – para existir. Pelo contrário, já que são plantas típicas de lugares desérticos. E como são diversos! Existem de todos os tipos e cores, e ainda se arriscam a florescer. São de uma beleza incompreensível a um olhar mais apressado, e não encantam como as frágeis orquídeas. Não perfumam, mas tem uma “aura” de auto suficiência de dar inveja. O mais curioso é que, se cortado, o cacto verte de seu interior exatamente aquilo que mais lhe falta. Tudo isso blindado (novamente) por espinhos.

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

vida noturna


Em qualquer cidade média/grande como Porto Alegre, você consegue sem se esforçar muito ter boas opções de entretenimento e vida noturna por no mínimo 5 dias por semana. Mas quando o fim de semana chega – às vezes até antes dele – é que as boas festas acontecem. Uma verdadeira maratona. De quinta a domingo, é fácil perceber a movimentação e expectativa existente em torno das baladas. Caixa de entrada do Facebook abarrotada de convites, o pessoal no Twitter comentando ansiosos sobre as festas, DJs animados anunciando que o setlist está pronto pra bombar a pista de dança, e avisando: só fica em casa quem for ruim da cabeça ou doente do pé.

E quando eu me pego em casa numa noite fria de sábado, sem a menor paciência para colocar o nariz na rua, eu começo a pensar se o meu desinteresse em relação a uma vida noturna badalada, ser um partyboy, é sintoma de uma velhice prematura, ou é a desilusão de quem conhece a noite – já tive a fase de sair de quinta a domingo, nos idos 20 anos – e sabe que, não importa a cidade, quando se trata de vida noturna, o script é basicamente o mesmo: ambientes minúsculos, abarrotados de gente, bares pequenos e caros, um empurra-empurra generalizado, pessoas bêbadas derramando álcool na sua roupa e não raramente vomitando pelos cantos.  E isso sem falar nas filas: fila pra entrar, fila pra ir ao banheiro, pra pegar bebida, para pagar a conta, para sair da casa, pra conseguir um táxi. Se você for alguém VIP na noite, pule essa parte da entrada, mas inevitavelmente, você estará sujeito às outras. Aposto uma rodada de cerveja que todo mundo já passou por situações acima.


E foi assim que eu me lancei no Twitter em busca de respostas a este meu questionamento. Embora tenha sido em uma hora não muito propícia – afinal, os que estavam na rede eram exatamente os que compartilhavam da mesma opinião que eu – pude obter algumas respostas esclarecedoras por parte dos que estavam ainda se preparando para curtir a noite. A maioria dos que responderam já tinham passado dos vinte anos, como eu, e preferiam uma boa noite com amigos em casa, ouvindo boa música e até mesmo (para o horror do pessoal festeiro) se divertindo com jogos de tabuleiro, do que se aventurar em baladas imperdíveis. Entretanto, entre as pessoas que achavam inadmissível uma pessoa de 29 anos passar a noite em casa aos fins de semana, todos foram unânimes: deve ter algo de errado comigo. Questionei sobre as motivações que os levam a frequentar a noite, e pude perceber em uníssono, embora confessadas via DM, as respostas: rever os amigos, dançar, e, quem sabe, encontrar alguém especial. Ou seja, amor. Mesmo que o encanto só dure uma noite e desapareça no raiar do dia.

Percebo nisso uma contradição. Qualquer pessoa com um mínimo de experiência em baladas sabe que a probabilidade de se conhecer alguém realmente bacana na noite e que não desapareça com a luz do dia é tarefa comparável a achar uma agulha num palheiro. Começo a pensar se não é exatamente este o objetivo de quem ainda pode ser chamado teen ou que mal saiu dessa categoria. Será que o interesse nessas atividades é inversamente proporcional a idade e a vontade de achar o amor-da-sua-vida-de-uma-noite? Disso tudo, dá pra perceber algo em comum: a busca pelo que supre a necessidade amorosa-sexual em cada momento da vida. Mas isso é assunto pra um próximo post... 

quarta-feira, 29 de junho de 2011

what would carrie bradshaw do?

i've got a deadline! and it kills me!

páginas e páginas para escrever. pra sexta. café, energético, coca-cola, cigarros. comida congelada. não dormirei nos próximos dias, espero chegar vivo ao fim da maratona, que termina segunda.

o que carrie bradshaw faria?

i need fabulous shoes!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

sobre flerte, se apaixonar e pessoas que querem tudo e nada



Ah, e tem o amor... quer algo que transforme mais o ser humano que esse sentimento? Com o tempo, a gente vai percebendo que tanta coisa muda, mas o amor está sempre lá, pronto a aparecer da forma mais impensável, improvável. Num esbarrão na rua, numa livraria, numa coincidência entre duas pessoas que pedem o seu café igual e que se veem todos os dias na cafeteria da esquina, mas nunca se falavam. Basta um encontro casual, e bingo! Como que atraídos por alguma força misteriosa [insira aqui sua definição: Deus, destino, ou algo equivalente], os envolvidos repentinamente sentem que suas vidas nunca mais serão as mesmas depois daquele dia.

E a gente conhece tanta gente. E elas são incríveis. E mais louco ainda é pensar em como se dá o processo de se apaixonar por uma pessoa em especial, entre tantas possibilidades. Não que eu veja nisso algo de ruim, muito pelo contrário. Bauman diz que esse é grande problema dos tempos atuais, de amores instantâneos e voláteis: comprometer-se com uma pessoa significa desbravar uma terra desconhecida e se aprofundar em um oceano particular, conhecer sua ecologia e as espécies mais bizarras que existem lá no fundo, onde nem a luz chega. Parece mais trabalhoso do que nadar em vários mares. Mas, claro, só até onde o pé toca a areia. Ali no rasinho da praia, onde não há perigo de se afogar e se pode sair a qualquer instante, sem se deixar levar pela força da maré.

E por que então todos idealizam tanto o amor? Eu tenho uma teoria de que pessoas que buscam aquele alguém ideal (leia-se: lindo, sexy, descolado, bem sucedido profissionalmente e com uma conta bancária acima de 3 dígitos) na verdade não estão dispostas a nada. Ou melhor, estão comprometidas somente com elas mesmas. É o mais puro e claro caso de auto sabotagem. Ninguém nunca é bom o suficiente. Já cansei de ouvir “ah, mas ele não se veste bem!”, “como vou sair com uma pessoa que não tem carro pra me pegar em casa?” e outras coisas parecidas, que não posso deixar de me perguntar se na verdade tudo não passa de uma desculpa esfarrapada para mascarar um egoísmo latente disfarçado de critérios exagerados de seleção. Depositam-se expectativas tão altas que é humanamente impossível encontrar todos os pré-requisitos num sujeito só.

Nenhuma gafe no primeiro encontro, tudo impecavelmente ensaiado, assuntos que não devem ser trazidos à tona, gestos coordenados de acordo com o mais recente sucesso editorial que ensina como se comportar durante a paquera. Cruze as pernas e passe a mão no cabelo, lançando um olhar fulminante. Tudo muito robótico, muito produzido, muito fake. Esse é meu desafeto com o mundo da moda: parece que as pessoas estão introjetanto uma coisa meio editorial constante das grifes no dia-a-dia. Caras e bocas perfeitamente calculadas e treinadas em auto retratos infinitos, olhares lânguidos, câmeras digitais e espelhos. E a naturalidade, cadê? Onde foi parar o nervosismo que te faz derrubar cerveja na própria roupa, pra logo depois de o rosto corar, explodir numa risada que mais aproxima que afasta?

Quero mais gente de verdade. Gente que não se ensaia. Quero mais improviso. Que não descarte possibilidades, que deixe chover sem se preocupar se vai estragar o penteado. Que goste de sorvete de chocolate, mas não deixe de experimentar o sabor exótico, sei lá, nozes com damascos [nem sei se existe, mas caso não tenha, taí uma ótima dica pros sorveteiros de plantão!]. Mais: quero gente que não exatamente saiba o que quer nem o que procura, mas que esteja louca pra descobrir.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

acreditamos nas pessoas livres.
existe uma gente que conquistou sua liberdade, e tem coragem para mostrar-se.
esse mundo, o das pessoas que não tem medo de ser, é real, e pertence a qualquer um que o queira.
é só estender o braço, e a felicidade de não fingir está bem ali.
somos a nova família, e lutamos para ser amados assim: loucos, estranhos, lindos e até mesmo chatos.
porque somos os que querem simplesmente amar.
e amar, amar é chique.


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copiei o texto acima há muitos anos, de algum lugar que eu não me lembro muito bem onde. mas acho que hoje faz mais sentido que nunca.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

muita coisa pra fazer, poucas horas no dia. pouco dinheiro. muitos congressos pra participar, verba de menos pra bancar as inscrições caríssimas. cama enorme, sono pequeno. café, muito café; praticamente vivo de café, e, claro, de gororobas culinárias. o cartão de passe acabou, o dinheiro idem, vamos à faculdade a pé. bom que aproveita e faz um exercício físico. frio demais, água gelada demais saindo da pia e doendo na alma meus dentes sensíveis. sensodyne é o triplo de uma pasta de dentes comum. e os livros continuam me olhando ali, ó. consigo ver 6 neste exato momento. e os post-it na parede me informando sobre prazos também. cinzeiro entupido em cima da mesa, misturado com copos com restos de alguma coisa que não identifico muito bem. duas meias no pé, preciso de pantufas. e de um aquecedor pros dias ainda mais frios que se aproximam. 

disparando currículos. maldito horário do mestrado: 3x por semana, sempre à tarde. 

batatas cozidas com atum, alguém sabe se fica bom?

diria que estou me descabelando, mas seria mentira porque raspei a cabeça - para economizar cortes quinzenais no salão, porque, veja bem, 50 r$ num mês é um despautério.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

não sei que título dar

só queria compartilhar com meus 5 leitores (beijo, maíra, xis, ton, pree e alguém mais, aliás coloquei 5 só porque gosto de números ímpares) que "i'm so happy 'cause today i shaved my hair" #nirvanafeelings e estou tomando uma cerveja gelada. 

pela atenção, agradeço.